História para o Natal: "O plátano, o rissól, o panado e a garrafa de rum"
2 comments created by The Crow at 19:12Estava um dia um plátano ao Sol, triste. Estava cansado de ser uma simples pseudobaga, uma mera planta herbácea vivaz acaule da família Musaceae. Queria ser algo mais, queria que a sua vida tivesse importância, queria, no fundo aquilo a que todos aspiramos: mudar o mundo e deixar impacto para o Futuro. Partiu então.
Perto da sua bananeira começava uma estrada amarela. Seguiu por ela, andou e andou, até encontrar um pacote de farinha de trigo. Devido ao seu ar infeliz, o plátano dirigiu-se a ele e perguntou-lhe o que tinha. O pacote respondeu que tinha caído de uma carroça que passara por ali há duas semanas a caminho da pastelaria Latas e estava lá desde então, sem saber o que fazer da vida. O plátano contou a sua história e disse-lhe que estava a procurar o seu destino e convenceu o pacote a ir com ele.
Um pouco à frente encontraram um bife de peru pendurado numa árvore. O plátano olhou para cima e indagou alto e bom som a razão de o bife estar a imitar uma banana. Este respondeu que viajava num avião em direcção ao restaurante do Aparício mas, turbulência fez a porta da carga abrir e lá caiu ele até aquela árvore, não conseguindo sair. Os dois nómadas decidiram ajuda-lo e o bife, sem sítio para ir, decidiu acompanha-los na jornada.
Andaram. Andaram e andaram. Até que o viram. Um palácio magnífico, revestido a ouro e com janelas de diamante. A porta estava aberta, entraram. No salão enorme viram sentado num imponente trono uma garrafa de Malibu, o melhor rum da Terra. Parecia aborrecido. Os companheiros de viagem ajoelharam-se à sua frente e pediram permissão para falar. A garrafa concedeu-a e eles contaram as respectivas histórias. O Malibu ficou no final um pouco a pensar e depois sorriu. Contou então a sua história. Fora criado em Curaçao. A sua concentração ideal de 21% de álcool e a quantidade certa de coco tinham-no tornado o rum mais desejado do planeta. Fora então colocado num pedestal inatingível para os outros rums e eventualmente deixado para adoração naquele castelo. No entanto, aquilo já não lhe chegava, queria dar ainda mais ao Mundo. Calou-se durante uns segundos e disse aos três amigos que os ia ajudar.
Começou por chamar diante de si o pacote de farinha. Indicou-lhe a cozinha e telefonou ao cozinheiro, um tal David, dando-lhe ordens inaudíveis. Cerca de uma hora depois um rissol de galinha entrou na sala, esplêndido. Disse então ao bife para se aproximar. Mais uma vez, disse para ir à cozinha e falou com o cozinheiro. Uma hora depois um panado entrou na sala, esplendoroso. Finalmente, disse ao plátano para se aproximar. Tinha uma ideia para os satisfazer a ambos. Chamou o barman, um corvo, e segredou-lhe durante uns segundos. Este deixou escapar um sorriso breve mas de pura felicidade. Seguiram então os três para trás de uma porta. Cerca de 15 minutos depois o corvo voltou, com um copo na asa. Deu-o a provar ao panado e ao rissol. O melhor líquido que jamais lhes tinha tocado os lábios. O corvo tinha criado, através do rum e do plátano, o melhor cocktail de sempre, uma mistura para durar gerações e agradar tanto à plebe como ao sangue real. A pseudobaga tinha encontrado o seu destino.
Labels: Fan Fiction
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