Julho: Andar de Skate



Agosto: Assistir ao pôr-do-Sol com o "outro significante"



Setembro: Emboscar um T-Rex

A Joaninha era uma parola qualquer. Era de Viseu e andava por lá. Não sabia o que queria da vida, mas sabia que adorava fazer amigos e ouvir música. Estava numa relação séria com a sua guitarra, mas de vez em quando fazia umas coisas marotas com o piano. Há dois anos tivera um flirt rápido com a Filosofia que acabara mal, com sangue e lágrimas, e por isso, agora, odiava-a. Tinha cento e cinquenta e um amigos, todos muito próximos, que se tinham encontrado mutuamente devido ao hábito de usar lentes de contacto vermelhas - uma dessas perversões sexuais dos nossos dias...

Era o início de um novo ano lectivo e a Joaninha foi a saltitar como um bambino com o cio para a aula de Português. “Saltas tão bem Joaninha!” disse a Rita, a melhor amiga dela. “Saltava-te era em cima...” fantasiou a Joaninha, tinha tendências lesbianas que tentavam levar a melhor sobre a sua objectofilia mas conseguia resistir-lhes. “É, aprendi no Batatoon.” disse ela, a sorrir. “Lava os dentes, sua porca!” disse Luís divertido, era homossexual assumido. Chegou a prof. Catia AmorAmor e os alunos puseram-se de cócoras, como é hábito nesta região do país. “Bem-vindos meus amores, já me conhecem por isso dispensamos apresentações. Chamo-me Cátia e sou a vossa professora de Português.” e em seguida pediu a cada um para dizer nome, idade, nacionalidade, desporto favorito, marca das meias, prato de arroz de eleição, o que achavam sobre o estado actual da produção teatral do Burkina Faso e a sua sexualidade. “Muito bem minhas carinhas larocas, vou agora apresentar-vos o programa para este ano lectivo: "Uma Aventura no Pomar do Tio António que foi preso por ter fotos de meninos no Blackberry", "Bando dos Quatro no Pomar do Tio António que foi preso por ter fotos dos meninos de Uma Aventura no Blackberry", "Aventuras de João sem Medo no Pomar do Tio António e como ele deveria ter medo se quer vir a explorar o seu corpo com a devida calma" e, por fim, "Os Maias" do Eça de Queiroz”. A nossa protagonista soltou um suspiro de aborrecimento. “Professora, não podemos antes ler o Twilight?” “Não, o Eça é vosso amigo e a mãe dele diz que ele anda deprimido por não conseguir pôr as lentes de contacto vermelhas como vocês, por causa do monóculo, por isso é para ver se o alegramos.” mas a nossa heroína não ficou convencida.
Quando acabaram as aulas ela foi com a Senhora Dona Ju comprar os livros na FNAC. “Não encontro os livros, só encontrei o "Uma Aventura no Pomar do Tio José que foi preso por ter fotos de meninos no iPhone e por violar senhoras"... Não sei que faça à minha vida, acho que me vou ter de matar!” E Ju matou-se nessa noite, mas antes encontraram Os Maias. “Olha! Está aqui o livro do EçAzinho! E há dois exemplares, assim cada uma de nós poderá ter a sua própria cópia.” Ju passou um dos livros à Joaninha e começou a ver se a espessura das folhas do seu exemplar era suficiente para cortar os pulsos.


Semanas passaram e Joaninha pouco avançou no livro. “Os Maias andam a dar-me cabe da cabeça” gritou enquanto fazia uma careta com a face de lado e a língua de fora. Achou piada à sua figura no espelho e foi ao Hi5 adicionar esse facto importante à sua biografia. Quem não achou piada foi o Eça, que estava a consultar a rede social em busca de grupos que gostassem de kuduro sinfónico. Topou a sua agenda para ver se tinha tempo disponível para ir dar uma lição àquela inculta rapariga, pegou na bengala, ajeitou o monóculo, aparou o bigode à Dalí e saiu de casa disparado enquanto ligava do telemóvel para o Luis, que tinha um fraco por ele, para lhe pedir a morada da colega de turna. “Mas para que queres? Gostas dela?”, disse Luis com desilusão audível na voz. “É para lhe dar com uma coisa em cima hehehe.” “Ai, também não é preciso ordinarices, rais parta!” Eça prometeu-lhe um caixote de Mon Cherries e conseguiu convencê-lo “És tão manipulador, meu pequerruxo! Amo-te muito sabes? Ela vive na Travessa do Pomar do Tio António, lote 5 - 2º esquerdo” e lá foi ele. Eça chegou à morada e berrou “Ó da casa!” e saiu um sujeito óculos “Quié?”, Eça ficou confuso porque, a julgar pelas fotos do Hi5, Joaninha não era assim tão bonita “A Joaninha está aí?” ao que o sujeito respondeu “Não, enganou-se na morada, caro Eça. Siga por aquele caminho que chega lá num quarto de hora.”
O célebre literato seguiu caminho e ao ver uma billboard a dizer “Visitas guiadas a um autêntico pomar - só para menores de 12 anos” soube que estava no local certo. Com a bengala subiu pelas janelas até chegar à janela do quarto da Joaninha e entrou à socapa. Estava nua numa chamada em conferência com o Papa e os astronautas estacionados na ISS, a discutir se amendoins seriam mais apetitosos com ou sem casca. Eça atirou-lhe uma camisa para cima, que entrou pelo pescoço como se este fosse um parafuso e a camisa uma bucha, e procedeu a dar-lhe com um exemplar do magnum opus, que tinha autografado e valorizado com uma bela e carinhosa introdução personalizada, na cabeça. “OS MAIAS andam a dar-m cabe da cabeça” disse ela com rios salgados a descer-lhe dos olhos e mares de javardice a sair-lhe do nariz. Eça deu-lhe mais, e com força, pelos erros ortográficos e gramaticais que ouviu. Quando achou que de facto a cabeça já tinha sido “dado cabe” o suficiente colocou a sua cartola e saltou em direcção ao tecto, que rebentou ao estar tão próximo de algo tão espectacular. Eça aproveitou e saiu por ai, dirigindo-se depois para casa lembrando-se que, a esta hora, o leite com chocolate quente já devia ter arrefecido para não lhe chatear os dentes, sensibilidade dentária is a BIOTCH.


Joaninha não apareceu uns meses na escola, apresentando, ao voltar, um atestado médico a dizer que tinha parido um puto morto, fruto de uma relação fugaz com o Pomar do Tio António. A verdade é que tinha demasiado vergonha para contar a verdade, para dizer que Os Maias lhe tinham dado cabe da cabeça, literalmente. Durante a estadia no hospital Eça visitava-a e obrigava-a a ler-lhe passagens do livro, especialmente as que envolviam o Dâmaso a levar bengaladas. Para Joaninha isto tinha sido tortura, mas ao voltar às aulas e ser-lhe entregue o teste de Português para fazer percebeu que era provavelmente a única da turma a saber responder à única pergunta: “O que era necessário, na visão do abade Custódio, ao jovem Carlos?”. Sem hesitar Joaninha respondeu: “A instruçãozinha.” Uns dias depois recebeu um 20, enquanto que a média para os seus colegas foi 3.14159. Aquele 20 elevava-lhe a média do Secundário o suficiente para poder entrar no seu curso de sonho, traficante de Dextromethorphan, e isso fez com que o Luis se endireitasse e se apaixonasse loucamente por ela. Isto possibilitou todo o seu futuro e levou-a a tornar-se a primeira Presidente de República, conquistou Espanha e lançou o primeiro foguete pilotado para Saturno, o qual descobriu vida inteligente fora do nosso planeta. “Se não fossem Os Maias nada disto tinha sido possível!” disse ela no fim do seu discurso ao país, depois de resumir o sentido definitivo da vida. Eça chorou de emoção ao ver a sua petiz a ter sucesso, tinha valido a pena ouvir tamanhas barbaridades.
As lágrimas fizeram com que o monóculo lhe escapasse do nariz. A Presidente Joaninha aproximou-se dele e colocou-lhe uma lente de contacto vermelha em cada olho. “Claro”, pensou Eça, “bastava ter desviado o monóculo!”. Chorou mais, de pura alegria, e explodiu em confetis e peluches em forma de babuínos.

Sexta-feira: Ir a uma festa




Sábado: Jogar o Portal 2




Domingo: Ver o filme The Godfather




Segunda-feira: Ver o filme Dragon Ball Z - Fusion Reborn






Terça-feira: Em vez de tomar banho, dancem-se limpos




Quarta-feira:




Quinta-feira: Ler o Robinson Crusoe e perceber porque esta sugestão não faz sentido



P.S.: gatinhos!

5. Before Sunrise (1995)

Em termos de filmes realistas e credíveis, filmes que mais se aproximarem da vida real de cada um de nós, não conheço nenhum melhor que este. Há diálogos aqui que parecem retirados da minha vida e é provável que muitos de vós sintam o mesmo. Embora isto possa fazer o filme parecer aborrecido garanto que tal não podia estar mais longe da verdade devido à realização excelente, ao argumento bem montado e as actuações perfeitas de Ethan Hawke e Julie Delpy. Isso nota-se bem por exemplo em algumas cenas que atingem longos minutos sem a conversa se tornar desinteressante ou os actores darem parte de fracos. A história passa-se em Viena e dá vontade a qualquer um (principalmente os vienenses) de visitar a cidade: dois desconhecidos trocam uns olhares e começam uma conversa num comboio até que Jesse convence Céline a passar com ele o tempo que tem até ter de apanhar o avião para os Estados Unidos da América. Durante pouco mais de meio dia (até ao nascer-do-Sol, duh) de Verão passeiam então pela cidade e têm conversas bastante inteligentes e cativantes sobre amor, vida, futuro, passado, religião, sexo, etc. Pelo meio nota-se de forma extraordinária o modo como os dois se vão apaixonando à medida que a hora da partida obrigatória de Jesse se aproxima (é também este limite que os compele a falarem tanto, pois pensam que nunca mais se vão encontrar). Interessante saber que o filme foi baseado numa experiência que o próprio realizador, Richard Linklater, teve com uma mulher e que o guião foi escrito em apenas 11 dias entre este Kim Krizan. Um retrato quase perfeito da natureza humana.


4. La vita è bella (1997)

Esta comédia-romance-drama de 1997 conta a história de um homem que ultrapassa os muitos obstáculos da sua vida com a sua imaginação e sempre com boa-disposição. É assim que conquista o amor e salva a vida ao seu filho.
O início do filme é exclusivamente uma comédia romântica, a melhor de sempre para mim, em que, em várias situações caricatas, Guido impressiona Dora e acaba por se casar com ela e ter um filho, Giosué. A sua vida está toda na maior até que é vítima do Holocausto, por ser judeu, e é forçado a ir para um campo de concentração juntamente com o seu filho. A mulher dele acaba por pedir para os acompanhar e é também levada embora fique separada deles pois os homens e as mulheres não ficavam juntos. É aqui que começa a segunda metade do filme que muda completamente o tom, dando-lhe um tom muito triste e escuro. Mas mesmo aqui Guido mantém a sua personalidade brincalhona, embora consciente do local onde se encontra, e convence o filho de que tudo aquilo é apenas um jogo que ele preparou para os seus anos no qual a primeira equipa a chegar aos 1000 pontos ganhará um tanque. A forma como ele improvisa cada situação é simplesmente genial, fazer rir num local tão temível como aquele não é tarefa fácil e requer um bom argumento e, sobretudo, um excelente actor, e o Roberto Benigni conseguiu fazer ambos, o que lhe valeu um Oscar para Melhor Actor e uma nomeação para argumento e realização. O filme também foi nomeado para melhor filme pela Academia nesse ano.


3. Fight Club (1999)

Este é um filme sobre a apatia, o descontentamento com a vida, e uma forma de ultrapassar isso. Edward Norton é o Narrador, uma personagem sem identidade que pode ser qualquer um de nós, deprimido, que tenta encontrar alguma emoção na sua vida aborrecida de empregado de escritório e resolver as suas insónias através de grupos de suporte e da transformação do seu lar no apartamento perfeito (através de móveis da IKEA). No entanto ele só volta a ganhar realmente algum prazer pela vida após conhecer Tyler Durden (Brad Pitt), produtor e vendedor de sabonete, com quem forma um clube de combate para eles e outros homens terem um local onde “soltar” as tendências agressivas inerentes ao género masculino, reprimidas pela sociedade actual ao colocar todos os bens necessários à disposição em lojas e ao tentar controlar as leis morais e sobrevalorizar os bens físicos através dos exemplos da publicidade e filmes. O clube fica cada vez mais complexo e sofre um aumento exponencial de membros até se tornar em algo muito maior que o inicialmente planeado... e nem tudo é o que parece, estando à nossa espera um twist ending digno dos clássicos. Esta foi a quarta longa-metragem de David Fincher e conta com interpretações excelentes de Edward Norton, Helena Bonham Carter, Jared Leto e principalmente de Brad Pitt. Indo buscar inspiração a Rebel Without A Cause, The Graduate e mesmo às ideias de Nietzsche, o filme debate temas como alienação, satisfação com a vida, libertação, materialismo, desespero, dor física, violência e caos, encontrando aspectos positivos onde outros apenas vêem coisas negativas e vice-versa, em mais de duas horas visualmente incríveis de acção, tensão, suspense e comédia negra. Excelente para todos os fans de cinema, essencial para quem procura mais da vida.


2. Toy Story & Toy Story 2 (1995 & 1999)

Toy Story foi a primeira longa-metragem feita totalmente por computadores, o primeiro filme da hoje aclamadíssima Pixar e, sobretudo, um filme que marcou uma geração. O filme é baseado numa primeira curta-metragem da Pixar, Tin Toy, e conta a história de bonecos que estão vivos e que se mexem sozinhos quando não estão a ser vistos por humanos. Woody é o xerife da zona e o brinquedo preferido de Andy, o seu dono. Mas num aniversário, Andy recebe um Buzz Lyghtyear e deixa Woody de parte. Buzz acredita que é um verdadeiro Ranger do Espaço e Woody faz tudo para convence-lo que não é até que um dia, guiado pela inveja, o atira pela janela e tem de o ir salvar, mas nem tudo corre como planeado e acabam perdidos. É um filme que fala um pouco da nossa posição e importância no Mundo, tem músicas bonitas e a lendária frase: “Para o Infinito e mais além!”. O segundo filme segue as mesmas raízes do primeiro mas agora os papéis invertem-se: Buzz tem de ir salvar Woody que foi raptado por um coleccionador de bonecos antigos. O cowboy conhece os seus companheiros de colecção e considera mudar-se para o museu pois os bonecos acabam por ser abandonados pelos donos. Tal foi o que aconteceu a Jessie, a cowgirl, que foi abandonada pela sua antiga dona, sendo a forma como isso a magoou explorada no filme e o medo de Woody que tal lhe aconteça torna-se num dos principais motivos para Woody não querer voltar à sua vida antiga. Os dois filmes têm personagens memoráveis a juntarem-se a Woody e Buzz: o porco-mealheiro Hamm, o Senhor-Batata, o cão de brincar Ziggy, o dinossauro Rex, o Imperador Zurg, os aliens verdes, entre muitos outros, inspirados em bonecos já existentes ou originais para o filme. Woody tem a voz de Tom Hanks e Tim Allen dá a voz a Buzz Lightyear, ambos fazem um grande trabalho juntamente com o resto do elenco.


1. True Romance (1993)

No processo que desencadeamos para fazer esta lista, vendo dezenas e dezenas de filmes que desconhecíamos, este foi talvez o maior achado com que nos deparamos. Seguimos Clarence (Christian Slater), um empregado de uma loja de banda-desenhada que ao tentar proteger uma prostituta por quem se apaixona, Alabama (Patricia Arquette), acaba por ser ver forçado a abandonar Detroit em direcção a Los Angels com a polícia e a Máfia atrás de si. Tudo termina como se de um bom spaghetti western se tratasse. O filme foi realizado por Tony Scott (irmão do mais conhecido Ridley Scott) e escrito por Quentin Tarantino e Roger Avary. Como é de esperar num filme com o envolvimento de Tarantino este está recheado de violência dura e crua e dialógos geniais e divertidos. As actuações dos dois actores principais são boas e sólidas mas as verdadeiras surpresas estão reservadas para os actores secundários: Gary Oldman, Christopher Walken (com o melhor interrogatório da década, possivelmente), Dennis Hopper (com a melhor resposta da década), Val Kilmer, James Gandolfini, Samuel L. Jackson, Chris Penn, Tom Sizemore, Bronson Pinchot e Brad Pitt (talvez o melhor actor da década, com Kevin Spacey). E tudo começa com um dos melhores trabalhos do conceituado Hans Zimmer, baptizado com uma das melhores citações do filme: “You're So Cool”. Divertido, inteligente, violento e cheio de crime, sexo, droga, kung-fu e, claro, romance.

10. Léon (1994)

Também conhecido como The Professional este filme é o ponto alto da vasta colaboração entre o realizador Luc Besson e o actor Jean Reno (colaboração da qual se pode destacar também Nikita, de 1990, com semelhanças no guião). Jean Reno é Léon, um assassíno profissional em Manhattan que por azares do destino se vê com uma rapariga de 12 anos nas mãos para criar, Mathilda (nada menos do que Natalie Portman no seu primeiro papel). A vida de Léon muda radicalmente, passa de um hitman solteiro, que só se preocupa com a sua planta, em ver musicais e em dormir sentado, para um pai adoptivo que dorme sentado e se vê forçado a dar lições de assassínio a Mathilda quando esta lhe diz que quer vingar o que aconteceu ao seu irmão mais novo, morto numa emboscada liderada pelo agente da polícia corrupto Stansfield (Gary Oldman). A história é genial, tocando em pontos como o da família, responsabilidade e amor de maneiras diferentes das habituais, tem cenas de acção magníficas e interpretações quase perfeitas dos três actores referidos.


9. The Usual Suspects (1995)

Keyzer Söze! Depois de um raid a um navio que correu mal, acabando com a explosão do mesmo, a morte de dezenas de criminosos e apenas um suspeito capturado, The Usual Suspects conta todo o desenrolar de acontecimentos que levou a essa situação através do questionário policial aos dois únicos sobreviventes, Verbal Kint (Kevin Despaçarado) e um criminoso húngaro hospitalizado com queimaduras severas, sendo-nos revelado todo o mistério ao mesmo tempo que à polícia. Tudo começou semanas antes com um assalto, esse de sucesso, a um camião que acaba por levar os “suspeitos do costume” (criminosos condenados que são chamados quando a polícia não tem quaisquer outras pistas) a um questionário polícial e a uma noite juntos numa cela, durante a qual planeiam um golpe para se vingar da polícia. Este golpe acaba por levar a outro até que eventualmente ficam na mira do lendário Keyzer Söze, um delinquente que ninguém alguma vez viu mas que todos temem, que lhes faz um ultimato: como todos lhe devem algo terão de atacar um navio onde se vai realizar um negócio de droga e confiscar a cocaína e o dinheiro. O ponto alto do filme é a narração dos acontecimentos, que cada vez se vão tornando mais complexos até levarem a um final inesperado e muito bem construído. A juntar a isto há ainda a ter em consideração as excelente interpretações de Kevin Spacinho, Benicio do Touro, Gabriel Byrne, Steve Bus e Rei (os últimos dois fazem de fantasmas). Bryan Cantigas tem nesta segunda película da sua carreira talvez o ponto alto da mesma.


8. Pulp Fiction (1994)

Escrito por Roger Avariado e Quentin Taradinho, sendo que este último foi também o realizador, este filme tem dos melhores diálogos de sempre (destacando-se a conversa sobre hamburgers entre John Travolta e Samuel L. Jackson) que lhe valeu o Oscar para melhor argumento. Está dividido em mini-histórias que se vão cruzando e o guião não é linear, acontecimentos do início do filme podem ocorrer no fim da história e vice-versa. É um filme que fala de muita coisa sem um assunto em concreto, muito original e único. O que podemos dizer sobre a história é que gira à volta de uma mala, da qual não sabemos o conteúdo, e que John Travolta e Samuel L. Jackson são contratados para a ir buscar, o resto é preciso ver para perceber.. Repleto de interpretações muito boas de Bruce Willis, Uma Thurman, Samuel L. Jackson, John Travolta e da portuguesa Maria de Medeiros (faz de amante de Bruce Willis), de uma grande realização e com muita violência à mistura, o filme não só costuma estar na lista de melhores filmes desta década como nos melhores de sempre, no IMDb o filme ocupa um posição de top 10 nos melhores 250 filmes de sempre votados pelo pessoal que frequenta o site. Por fim, tem uma soundtrack muito boa escolhida por Tarantino com músicas pop, rock n roll, surf (porque ele acha que parecem músicas do lendário Morricone) e soul e ainda de referir a citação genial de Samuel L. Jackson retirada da Biblía, um das melhores citações de sempre: He path of the righteous man is beset on all sides by the iniquities of the selfish and the tyranny of evil men. Blessed is he who, in the name of charity and good will, shepherds the weak through the valley of darkness, for he is truly his brother's keeper and the finder of lost children. And I will strike down upon thee with great vengeance and furious anger those who would attempt to poison and destroy My brothers. And you will know My name is the Lord when I lay My vengeance upon thee.


7. The Lion King (1994)

Lançado num período entre 1989 e 1999 chamado de Renascimento da Disney, no qual a Disney voltou às origens e às histórias clássicas (Bela e o Monstro, Aladdin, O Corcunda de Notre Dame entre outros) e conseguiu reconquistar a popularidade do período Walt Disney, O Rei Leão é possivelmente o ponto mais alto dessa época, reconhecido como um dos melhores filmes de animação de sempre e um dos mais populares. O filme foca o Ciclo da Vida que é representado tanto por animais como pelas paisages sendo que ambos sofrem mudanças drásticas dependendo do seu líder, Mufasa, Scar e Simba. O primeiro é um rei sábio, benevolente e protector que mantém um reino belo e com boa qualidade de vida para os seus habitantes até morrer de forma trágica às mãos do seu irmão, Scar, que expulsa Simba e alia-se às hienas que lhe auferem poder em troca de uma posição privelegiada na sociedade, tornando o reino num local pobre, injusto e triste. Simba aprende um estilo de vida diferente do que sempre conheceu com os seus novos amigos, a dupla Timon e Pumba, que o acolhe e junto dos quais começa a refazer a sua vida longe do passado. Para além de uma história bem construída tem uma grande banda sonora (vencedora de Oscar) com músicas como Be Prepared, Circles of Life, Hakuna Matata e Can You Feel the Love Tonight?. As últimas três foram nomeadas para Oscar, ganho por Can You Feel the Love Tonight?. É um filme que não é infantil para os adultos mas tem diversão que chegue para os mais jovens.


6. Terminator 2: Judgment Day (1991)

Um dos melhores filmes de acção de sempre assim como uma das melhores sequelas de sempre e das poucas que consegue ser, sem muita discussão, melhor que o original em todos os aspectos. O primeiro Terminator tinha apenas uma pequena porção do orçamento deste e foi uma enorme surpresa, lançando as carreias de James Cameron e do Governador, Arnold Schwarzenegger. Neste filme já ambos eram grandes estrelas e o filme já não era uma pequena produção, era o filme mais caro de sempre na altura. Mas as expectativas foram cumpridas e é agora um clássico dos filmes de acção e de ficção cientifica com efeitos especiais que ainda hoje impressionam e com algumas das frases mais conhecidas do cinema: “I’ll be back”, “Hasta la vista, baby!”, entre outras. A história do filme passa-se anos depois do primeiro, no qual um Exterminador do futuro é enviado de 2029 para 1984 para matar a mãe do futuro líder da resistência, John Connor, mas é destruído por ela e por Kyle Reeves (agente de John Connor vindo também do futuro para proteger a mãe do seu líder) antes de o conseguir. Terminator 2 começa então, ao mesmo estilo do primeiro, com a vinda de outro Exterminador e de outro sujeito para proteger John Connor, que já nasceu e é um adolescente. O primeiro twist do filme dá-se logo no início ao revelar-se que o Exterminador (T-800) é afinal o “bom” (foi capturado e reprogramado no futuro) e o “mau” é também um Exterminador mas de um modelo mais avançado (T-1000), enviado para cumprir a missão que o seu antecessor não conseguiu. O filme explora a relação entre o jovem e a máquina e a afeição que surge entre os dois, quase à imagem de pai e filho, a mãe de John é que não acha piada e quer livrar-se dele o mais rapidamente possível mas lá acaba convencida depois de o ver sorrir. O plano deles é então encontrar o programador que está a desenvolver a Skynet (sistema informático que controla o mundo no futuro com os Exterminadores) e evitar que ele continue a sua criação, tudo isto antes que o T-1000 extermine o seu alvo e chegue o Dia do Julgamento, dia em que a Skynet domina o mundo. Tem um tom muito mais suave que o original ao juntar comédia e retirar aspectos próximos de filmes de terror do The Terminator mas continua a ter um grande vilão (T-1000) e uma grande interpretação de Arnie, do miúdo que faz de John Connor e de Linda Hamilton (que repete o papel de Sarah Connor).

Depois do top que fizemos há um ano e do imenso sucesso que teve (foi capa do New York Times como “os filmes definitivos dos noughties”) decidimos repetir a proeza e fazer um novo top de 30 longas-metragens, desta vez da década anterior, a de 90 do século XX. Ao contrário do ano passado demorámos mais tempo a escolher os 30 melhores do que a ordená-los, visto que tínhamos quase 100 filmes (que vimos ao longo deste último ano) no rascunho original que deu origem ao que hoje apresentamos. Como é óbvio uma lista feita a várias mãos não representa as ideias específicas de nenhum de nós mas ao fazermos uma lista assim achamos que consegue ser mais “verdadeira”.
GALO COCOROCOCO
Após a ordenação do top notámos que os filmes presentes, ao contrário do passado, estão mal repartidos pelos dez anos em consideração: 1994, 1995 e 1999 têm seis filmes cada enquanto que 1996 e 1998 não aparecem uma única vez na lista e de 1997 apenas escapa um filme, pode parecer que o cinema andou parado nestes anos mas isso não é bem verdade pois no nosso rascunho original estavam mais de uma dezena de filmes feitos nesse intervalo. Quanto a individualidadadezes: os realizadores com mais filmes na lista são o reconhecido humanista Steven Spielberg, o senhor dos diálogos e da violência Quentin Tarantino e o outro dude, David Fincher, realizaram duas das películas da lista cada um, mas gostávamos de salientar que outro filme do topo da lista tem o argumento de Tarantino e ele até filmou um final diferente para o mesmo. Brad Pitt é o actor com mais presenças na lista, quatro, com papéis brilhantes em todos eles. Já nas mulheres temos duas actrizes com dois papéis, sendo elas Natalie Portman (que repete o feito da nossa lista anterior) e Patricia Arquette.
PERU GLUGLUGLU
Hoje apresentaremos desde o 30º ao 11º filme da década, dando além do nome do mesmo apenas o ano de lançamento e respectivo link para o IMDb. O Top 10 vai ser dividido ao meio e todos os filmes ai presentes vão ter também direito a uma extraordinária imagem e uma magnífica recensão escrita por nós. Estão todos convidados a comentar os filmes, fazer a vossa própria lista e insultar-nos, sendo que para isso basta dirigirem-se ao fim do post e carregar em "comments".
Sem mais delongas, eis a lista:

30. Ed Wood (1994)
29. 12 Monkeys (1995)
28. Boyz n the Hood (1991)
27. Eyes Wide Shut (1999)
26. Jurassic Park (1993)
25. The Matrix (1999)
24. Se7en (1995)
23. Aladdin (1992)
22. Heat (1995)
21. The Silence of the Lambs (1991)
20. The Shawshank Redemption (1994)
19. Forrest Gump (1994)
18. Dances with Wolves (1990)
17. Goodfellas (1990)
16. Schindler's List (1993)
15. American Beauty (1999)
14. Beauty and the Beast (1991)
13. Unforgiven (1992)
12. Reservoir Dogs (1992)
11. Rurōni Kenshin (Meiji Kenkaku Rōmantan): Tsuiokuhen (1999)

Feliz Natal

Em seguimento deste post revelamos aqui em exclusivo mundial mais uma ligação familiar inesperada no mundo do espectáculo: Techno Viking é o filho perdido de António Variações.

O António Variações penso que toda a gente conhece (embora talvez nem todos se apercebam da genialidade do homem) mas com o Techno Viking talvez tal não aconteça, embora ele seja uma personalidade da Internet desde 2006. O Techno Viking aprecia o som. O Techno Viking dança. O Techno Viking intimida. O Techno Viking não esquece a hidratação. O Techno Viking é bastante mais perigoso e awesome que o Chuck Norris.


António Variações foi um dos melhores músicos portugueses de sempre, conquistando Portugal com as suas magníficas letras e o originalíssimo estilo no início dos anos 80. Morreu em 1984 mas as músicas mantiveram-se vivas como em poucos casos. E é o pai do Techno Viking. Como dizia o Carl Sagan, afirmações extraordinárias exigem provas extraordinárias e eu não me esqueci disso. Deixo para vossa apreciação o seguinte vídeo, especialmente aos 40 segundos e a partir dos 2 minutos e 8 segundos.


Tirem agora as vossas conclusões. Feliz Natal a todos!!

101ª: Encontrar o Sentido da Vida


Esta lista não podia acabar sem ser endereçada a maior questão das nossas vidas e algo que todos nos questionámos várias vezes. Quer sejam da área da Ciência, Filosofia, Psicologia, História, etc. ou lavradores vão sempre ter este desafio e, provavelmente, nunca o vão conseguir atingir.
Não vale dizer que o sentido da vida é 42, que não tem sentido ou que é viver felizes e com amor, têm de explicar tudo desde a origem do Universo até ao fim do mesmo. Como o Stephen Hawking já anda a ficar sem tempo (sobretudo tendo em conta a velocidade a que consegue falar) temos de ser nós a chegar ao máximo da questão.
Quem conseguir completar estas 101 coisas irá orgulhar-se para sempre e será recordado por todo o Mundo.

Assim nos despedimos, um bem haja a quem acompanhou, mesmo que não tenha conseguido/querido ver todos os posts.


"I don't believe that the ultimate theory will come by steady work along existing lines. We need something new. We can't predict what that will be or when we will find it because if we knew that, we would have found it already!""
Stephen Hawking

100ª: Fazer uma lista de 101 coisas para fazer


Porque se nos tivemos de andar a pensar nisto tudo mais alguém o devia ter também de fazer lol. Agora a sério, fazer uma lista destas, seja com coisas que já fizeram, coisas que querem fazer ou tudo misturado (como a nossa) é uma excelente maneira de se lembrarem de muito do que a vida tem de interessante para oferecer e possivelmente reorganizarem a vossas existência de modo a que possam fazer mais algumas das coisas que vos fazem sentir felizes ou completos. Nem todas as coisas que eu postei possivelmente me fazem sentir assim lol, mas algumas delas fazem e todas elas são experiências interessantes (mesmo que algumas o sejam apenas de um ponto de vista muito particular). Espero que a nossa lista vos tenha interessado e tenham tirado pelo menos duas ou três ideias, sejam das mais grandiosas ou das mais mundanas, de entre as nossas 101.

P.S.: acabei de me lembrar que devia ter feito alguma das 101 coisas sobre "saltar de para-quedas" ou "ser mais como o Bear Grylls". Oh well.

P.P.S.: O Doom aproveitou o facto de não ter ideias para usar o meu P.S.

“One of the secrets of getting more done is to make a TO DO List every day, keep it visible, and use it as a guide to action as you go through the day.”

Jean de La Fontaine

99ª: Ver filmes do Stanley Kubrick


Um dos melhores realizadores de sempre que fez algum dos filmes mais originais, ambiciosos e instigadores de reflexão da história do cinema, um génio. Começou a sua carreira como fotógrafo da Look e isso ajudou-o a desenvolver a forma como filma, tudo muito bem posicionado, perfeito e bem pensado.
Realizou três documentários antes de se tornar realizador de longas-metragens: em 1951 lançou Flying Padre: An RKO-Pathe Screenliner e Day of the Fight, o primeiro mostra dois dias da vida de um padre e o outro um dia de um pugilista; já em 1953 lançou The Seafarers, o seu primeiro filme a cores, que esteve perdido durante 40 anos. São documentários curtos e não são nada de especial, apenas curiosidades para se verem depois dos filmes dele e ver como evoluiu de forma gigantesca. Nesse mesmo ano fez a sua primeira longa-metragem, Fear and Desire, um filme sobre quatro soldados próximos da linha de fogo do inimigo e que molestam um grupo de senhoras. É um filme bastante mau e percebe-se porque é que Kubrick tentou destruir todas as cópias do filme, daí o filme não ser comercializado e só existir em colecções privadas, para o verem só no Youtube. Em 1955 realizou Killer's Kiss, um filme sobre um pugilista fracassado que se apaixona por uma dançarina privada, a coisa corre mal porque o patrão da senhora não acha piada e persegue-os. É um filme muito mediano também, ver apenas por curiosidade.
Foi nos dois anos seguintes que Kubrick, ainda um jovem, lançou dois bons filmes que lhe possibilitaram ter dinheiro e reputação para fazer os filmes perfeitos que estavam para vir, em 1956 com The Killing e, no ano seguinte, Paths of Glory. O primeiro é um filme sobre um roubo a um hipódromo em que corre quase tudo bem e o outro é sobre um grupo de soldados da I Guerra Mundial que são condenados por não obedecerem a ordens dos seus superiores que os mandavam para uma missão impossível. São os dois filmes bastante curtos, não chegam a hora e vinte, mas têm muito para dizer, o segundo que é uma crítica aos senhores da guerra e The Killing influenciou inumeros filmes, destacando-se Reservoir Dogs do Tarantino.
Em 1960 lança Spartacus, com Kirk Douglas (que já tinha entrado em Paths of Glory), dispondo agora de um orçamento muito superior ao dos seus filmes anteriores e foi um sucesso nas bilheteiras. Dois anos depois, em 1962, adaptou o livro de Vladimir Nabokov, Lolita, que conta a história de um homem de meia idade que se apaixona por uma miúda. Foi o seu primeiro filme a gerar grande polémica e a primeira (de duas) colaboração com Peter Sellers que faz um papel perfeito, assim como James Mason. Mais tarde Kubrick arrependeu-se de fazer este filme devido às limitações que foi sujeito pela censura. Em 1964 realizou Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, uma sátira à Guerra Fria, com Peter Sellers a fazer 3 papéis e um cast a fazer papeis perfeitos, destacando-se George C. Scott e Sterling Hayden (que já tinha entrada em The Killing) e ainda com James Earl Jones (voz de Darth Vader). É uma das melhores comédias negras de sempre e um dos meus filmes preferidos dele.
Já em 1968 lançou o melhor filme de todos os tempos, 2001: A Space Odyssey, que merecia um post só para si e que deveria ficar mais longo que este. É um filme de ficção cientifica que toca na maioria dos grandes temas: evolução, viagens no espaço, outras dimensões, inteligência artificial, desumanização, poder divino, tecnologia do futuro, etc. Tem a melhor banda sonora de sempre, melhores efeitos especiais para a altura de sempre e acima de tudo é o filme mais "bonito" e artístico de sempre, na minha opinião. Tem influências tão distintas como Homero e Nietzsche e é um filme sobre o qual há sempre alguma coisa a dizer. Não deve ser preciso referir que é dos filmes mais polémicos de sempre, até a própria aterragem na Lua no ano seguinte, 1969, é uma coincidência muito curiosa. Se tiverem de ver só um filme dele, que seja este. Não garanto que gostem porque há muitas pessoas que não gostam, eu próprio não gostei da primeira meia hora de filme da primeira vez que vi e desisti, só uns meses mais tarde é que deixei de ser parvo e fui ver.
Três anos depois, 1971, chegou aos cinemas (nos países onde não foi banido) A Clockwork Orange, que trata de um grupo de jovens vândalos que destroem, batem nos velhos e violam senhoras numa Inglaterra distópica que, aparentemente, está sob o domínio russo (devido ao inglês deformado, misturado com palavras russas) e onde o poder, tal como as pessoas, é corrupto. Malcom McDowell faz de Alex, o líder do grupo inicial, um dos personagens mais "awesome" de sempre. Mais uma vez Kubrick coloca uma genial banda sonora no seu filme, destacando-se Beethoven sendo que a 9ª Sinfonia tem influência directa na história pois Alex deixa de poder ouvi-la, por erro dos médicos. Até hoje não conheci ninguém que não gostasse do filme, já o vi com várias pessoas e todas adoraram, eu incluído, e é um filme que podia ver quase infinitamente.
Depois de Clockwork Orange, Kubrick começou a trabalhar mais devagar e lançou apenas 4 filmes em cerca de 25 anos, o primeiro desses foi Barry Lyndon, em 1975. É uma história de subida ao poder e subsequente queda sobretudo devido à perda dos valores morais, uma personagem que começa como simpatizável acaba como odiosa e, no fim, achamos que ele merece o que lhe acontece. É um filme bastante longo, mais de 3 horas, mas é muito bom, embora não me lembre de grande parte dele, sei que gostei bastante de ver.
Em 1980 lançou-se aos filmes de terror, ele que teve uma carreira em que passou pelos mais diversos géneros. Devo dizer que, antes deste filme, tinha algum desprezo por filmes de terror por serem muito à base de cenas a aparecer do nada para nos assustar, este filme mudou a minha opinião. The Shining é muito sobre o enlouquecimento de um homem metendo factores paranormais pelo meio. Jack Nicholson, a mulher e o filho vão tomar conta de um hotel numa zona isolada, hotel esse que estava assombrado, pelo quê não dá jeito dizer porque é spoiler e porque é algo debatível. A interpretação do Nicholson é perfeita (e mesmo a senhora, que foi nomeada para um Razzie, faz um bom trabalho, na minha opinião) e o filme vai construindo uma atmosfera assustadora. É um filme que costuma ser pouco apreciado, embora seja considerado um clássico dos filmes de terror, e eu só compreendo isso pelo facto do Kubrick ter feito uma adaptação do livro muito diferente daquilo que ele é, ignorando vários temas (Stephen King, o autor odeia o filme).
Full Metal Jacket foi lançado em 1987 e é sobre a guerra do Vietname, antes de lá entrarem (Boot Camp) e a guerra em si. O filme está então dividido em duas partes que acabam com um momento muito forte, sem querer lançar spoilers. Um soldado gordo não consegue manter-se ao mesmo ritmo do que outros e passa um mau bocado devido aos constantes berros do seu instrutor (que faz um papel genial, como é costume em filmes do Kubrick) e com os seus colegas que se fartam de sofrerem castigos à sua culpa. Na segunda parte do filme um batalhão tem de lidar com um sniper além de mostrar vários aspectos da guerra e podem-se tirar algumas conclusões do porquê da América ter perdido. Tal como The Shining me fez gostar mais de filmes de terror, este fez-me ganhar mais interesse por filmes de guerra.
Chegado o ano de 1999 chega o último filme de Kubrick, Eyes Wide Shut, com Tom Cruise e Nicole Kidman a constituírem o casal do filme (eles que na vida real também eram casados, na altura). É um filme que gira à volta das traições, de como reagimos a elas mas também tem partes muito estranhas (uma seita misteriosa, por exemplo) que dão ao filme uma aura de como se de um sonho se tratasse. É outro dos meus filmes preferidos do Kubrick, acho o tema muito interessante e difícil de ser tratado como ele o fez.
Por fim, apenas referir que Kubrick foi nomeado para vários Oscars, Globos de Ouro e BAFTAs mas o único que ganhou foi o Oscar para Efeitos Especiais pelo 2001 (totalmente justo, já por isso), algo absurdo tendo em conta que foi um dos grandes mestres do cinema e que tira muito crédito a este tipo de prémios. Kubrick foi até nomeado para um Razzie que, ironicamente, também não ganhou. Uma carreira brilhante afastada de Hollywood, foi um realizador com controlo completo sobre os seus filmes, e ainda bem.

"A film is - or should be - more like music than like fiction. It should be a progression of moods and feelings. The theme, what's behind the emotion, the meaning, all that comes later. ""
Stanley Kubrick


 

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